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RJ é o estado que tem a gasolina mais cara do país, diz ANP Bookmark e Compartilhe
Publicado em: 10-05-2019


Levantamento mostra que o preço médio no estado é de R$ 4,99. Impostos estaduais, que no RJ são mais altos, influenciam no preço do combustível nos postos.
O Estado do Rio de Janeiro tem a gasolina mais cara do país. Nas últimas quatro semanas, o preço médio do combustível no estado subiu de R$ 4,84 para o valor atual de R$ 4,99, um aumento de cerca de 3%.
De acordo com o último levantamento de preços da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP), o Rio tem gasolina mais cara do Brasil, seguido do Acre e Piauí.
Ainda de acordo com a ANP, entre os municípios do RJ, Angra dos Reis apresentou o preço médio mais alto. Lá, a gasolina custa R$ 5,26. A média mais baixa foi em de São João de Meriti: R$ 4,73. Já na capital, ela é de R$ 5,02. É a 11ª mais alta.
A variação em diferentes áreas da cidade se deve aos custos de cada posto. Na Zona Sul, por exemplo, o pacote é mais alto do que na Zona Norte porque, entre outros fatores, o IPTU é mais elevado. Num posto em Copacabana, na Zona Sul, a gasolina saía, nesta quinta-feira (9), a R$ 5,29.
Na Avenida Brasil, principal via de acesso do Rio, na Penha, na Zona Norte, a gasolina saía a R$ 5,09. Em outro posto a cerca de 30 metros de distância e num em Ramos, o preço era o mesmo.
Mais adiante, num quarto posto na via, a gasolina era vendida a R$ 4,79. Num em Bonsucesso, ela estava a R$ 4,89.
Flutuação
Motoristas que circulam pela Avenida Brasil dizem que é muito difícil fazer pesquisa de preços. Eles contam que passam num dia verificando onde está mais barato. No dia seguinte, quando vão abastecer, o preço já mudou.
“Está bem complicado abastecer, a gente sente muito no bolso. Hoje a gente bota quase metade do que botava antigamente. Tem de ficar de olho no preço”, disse um motorista.
Outra motorista também reclamou do custo elevado. “A gente corre, corre, corre, mas não consegue fugir do preço. A variação é tão pequena que não vale a pena pesquisar. E o preço está muito alto. Não sobra nada para você se divertir."
Em Cabo Frio, na Região dos Lagos, a gasolina tem um dos preços mais altos do estado. Num posto no Centro, o litro está a R$ 5,19. Segundo a ANP, o preço médio na cidade é de R$ 5,12, e o mais barato fica por R$ 4,98.
Em Araruama, também na Região dos Lagos, o preço médio da gasolina é de R$ 4,88.
Em abril, a ANP esteve em Cabo Frio para fiscalizar os postos junto com o Procon. Desde setembro de 2018, o Procon apura uma suposta formação de cartel - quando comerciantes combinam os preços -, o que é ilegal. O Ministério Público acompanha o caso. E já teve uma campanha para que consumidores não abasteçam em Cabo Frio.
Em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, no parque rodoviário, a gasolina está sendo vendida a R$ 5,19. O preço médio na cidade é de R$ 5,01. No local onde ela é vendida mais em conta, custa R$ 4,69.
Em Itaperuna, no Noroeste Fluminense, o preço médio é R$ 5,01, sendo a menos cara vendida a R$ 4,85, e a mais cara, a R$5,19.
Impostos encarecem combustível
Segundo dados consolidados pela Petrobras com base no levantamento da ANP, os impostos estaduais são responsáveis por cerca de 29% do preço final pago pelo consumidor. Como o Rio tem impostos mais altos que outros estados, isso se reflete no preço nas bombas.
Também entra na conta o custo do etanol anidro, que é misturado à gasolina e representa 12% do preço final ao redor do país. Boa parte desse etanol vem de São Paulo, e o frete acaba aumentando a conta para os fluminenses.
Terminam de compor os preços ao consumidor os impostos federais, cerca de 15%, os custos de distribuição e revenda, 11%, e o preço de faturamento do produtor, como a Petrobras, cerca de 33%.
O pesquisador Felipe Pires, do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), explica que no preço final da gasolina, no total, estão embutidos 45% de impostos.
“O maior vilão é o ICMS, imposto estadual, que no Rio tem alíquota de 34%. Em São Paulo, essa alíquota é de 25%. O ICMS é cobrado na fonte de consumo. Em São Paulo, por exemplo, tem maior frota, então em termos de escalas, a alíquota pode ser menor e o resultado para o cofre do estado vai ser muito razoável. No Rio, a frota é menor, apesar de ser o maior estado produtor, em termos de consumo somos um dos menores. Então, a alíquota acaba sendo um pouco mais elevada para compensar essa diferença”, explicou Pires.
A política de preços da Petrobras para a gasolina e o diesel vendidos às distribuidoras tem como base o preço de paridade de importação, formado pelas cotações internacionais destes produtos mais os custos que têm os importadores como transporte e taxas portuárias.
Assim, uma variação positiva no preço do barril de petróleo no mercado internacional ou o aumento do dólar provocam a alta dos preços no Brasil.
O pesquisador destaca essas questões internacionais, como a diminuição da produção na Venezuela e embargos no Irã, que impactam no preço.

Por Cléber Rodrigues, Diego Haidar, Guilherme Peixoto e Laila Hallack, Bom Dia Rio
 

 

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